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Património Cultural
No contexto do Património Cultural destaca-se, pelo seu
valor histórico e artístico o património construído.
Genericamente, podem reconhecer-se três características
marcantes no património construído no concelho de Gouveia:
- O peso da tradição na estruturação dos aglomerados,
como demonstram a história antiga do seu povoamento e os
testemunhos materiais do seu passado;
- A sua plena integração na paisagem, através da
utilização dos materiais regionais: o granito e as
madeiras;
- A predominância da agricultura tradicional que,
integrando-se nos aglomerados populacionais, confere uma
feição geral a sua arquitectura.
A tipologia mais comum na habitação tradicional do concelho
de Gouveia é a de planta rectangular e dois pisos, podendo, nas
zonas planas subir ate aos três pisos, como é exemplo Arcozelo
e Cativelos:
- Primeiro piso, ou loja, para guardar os animais e/ou as
alfaias agrícolas (estando a denominação de “loja”
ligada à sua transformação em posto de venda);
- 2º (3º) piso de habitação, onde a lareira pontifica na
principal divisão da casa – a sala ou cozinha.
De granito à vista ou rebocada (zonas mais urbanas), o
acesso ao primeiro piso faz-se por meio de um balcão exterior,
também em granito, na maioria das vezes coberto por um alpendre
de estrutura e gradeamento em madeira.
Existem ainda, alguns exemplos de revestimentos exteriores de
empenas e mansardas (telhado formado por águas quebradas, com
duas inclinações, sendo a inc1inação inferior quase vertical
e a superior quase horizontal) em placas de ardósia, como por
exemplo em Rio Torto e Nabais. Mesmo muito raras, encontram-se
algumas varandas envidraçadas. A cobertura é geralmente de
duas águas e a chaminé praticamente inexistente. Interiormente
as divisórias são feitas em madeira ou em tabique.
Por todo o concelho podem ainda encontrar-se casas isolados
ou pequenos conjuntos habitacionais, que conseguiram resistir
às constantes pressões provocadas pelo crescimento dos
aglomerados.
Igrejas
No que concerne às igrejas, conventos e capelas do concelho
pode-se dizer que tiveram um papel preponderante na
estruturação dos aglomerados, que se foram organizando ao
longo do tempo, em torno da sua sombra protectora.
A maior parte destes edifícios tem fundação bastante
antiga. É, no entanto, no sec. XVIII, que se assiste à reforma
da sua maioria ou à construção de novas. Tratando-se, nalguns
casos de construções de grande envergadura, elas vão servir
de estaleiro de aprendizagem para os artistas locais. Estes
artistas, ao aprenderem com os mestres construtores vindos do
norte vão, reciprocamente, influenciar a arquitectura local,
conferindo-lhe um carácter singular, através do
enrobustecimento das proporções e da simplificação das
referências estilísticas barrocas.
As igrejas, volumosas e de grande simplicidade, apresentam-se
de planta rectangular com uma só nave, capela-mor (por vezes
saliente) e torre sineira. A fachada principal enriquece com um
portal trabalhado, sobrepujado par um janelão ou janela de
molduras em granito, onde se liberta a criação dos canteiros.
As paredes exteriores são, na maioria dos casos, rebocadas e
brancas, formando forte contraste com os cunhais e molduras em
granito. Explicitamos a Igreja do Freixo, que conserva a torre
sineira rebocada a branco, tendo um restauro recente posto a nu
as paredes de granito.
As capelas de devoção popular, situadas algumas já dentro
dos aglomerados, mas outras em locais isolados, em plena
natureza, poderão talvez reflectir uma ligação ao culto de
divindades pagãs que o cristianismo absorveu. Muitas delas
lembram os templos galaico-romanos, de planta rectangular e
alpendre sobre colunas na fachada principal. Em muitas destas
capelas realizam-se anualmente diversas romarias.
Solares
No que concerne aos solares, estes podem definir-se como
sendo uma casa de habitação nobre ou senhorial, de tipo rural
ou urbano, com uma localização evolutiva na história e de
formas marcadas pela influência de vários estilos. A sua
localização na encosta N / poente da serra, associa-se a
prática da cultura de cereais. Assim acontece no concelho de
Gouveia. A loca1izacão dos solares corresponde a urna
ocupação de meia encosta entre as 420 e os 700 metros de
altitude, que oferece melhor exposição solar, tendo como
limite aproximado a Estrada Nacional (EN) 17, cujo traçado
corresponde, em grande parte com o da antiga estrada real. Tal
como aconteceu com a arquitectura religiosa, os solares
apresentam influências regionais que se manifestam por certos
particularismos do seu traçado, ou pela simplificação ou
redução dos sinais de poder. Estes edifícios setecentistas
desenvolvem-se a partir de um eixo vertical, definido pela porta
principal, varanda ou janela e brasão do proprietário. A sua
horizontalidade é fortemente acentuada pela repetição dos
vãos e pela linha horizontal do remate da fachada (cornija).
Ostentando o símbolo de poder do seu proprietário, a fachada
principal é sempre a mais cuidada (exemplo: Solar dos Marqueses
de Gouveia).
"Alminhas"
Uma síntese sobre o património cultural do concelho de
Gouveia não ficaria completa sem referir as “Alminhas”,
também chamadas de cruzeiros pela população local. As “Alminhas”
são estelas ou colunas de granito trabalhadas, na sua maioria
encimadas par uma cruz, quase todas localizadas em encruzilhadas
de caminhos, ao ar livre, isoladas, ou fazendo parte de muros.
Os exemplares de maiores dimensões foram encontrados nos
troncos da calçada romana (!?) que sai de Gouveia para a ponte
Chorido, uma perto da ponte e outra já no limite da freguesia
de São Pedro. Grande parte das “Alminhas” não apresenta
datas ou qualquer inscrição. Os contactos com a população
revelam o facto de estas “Alminhas” serem consideradas uma
das manifestações materiais do culto dos mortos. Poderá ter
algum significado o facto de praticamente todas as “Alminhas”
se situarem em encruzilhadas de caminhos, caso contrário
encontram-se em matas ou perto de cursos de água.
Por todo o concelho existem vários cruzeiros, de entre estes
padrões da cristandade o mais antigo dos datados encontra-se em
Vila Cortês da Serra, que data de 1688.
Pontes
No que diz respeito às pontes, o Professor Adriano Vasco
Rodrigues, defende que um grande número destas deverão
remontar a época Medieval. Nesta altura seriam de madeira, mas
sofreram, posteriormente sucessivas reparações, até aos
séculos XVI e XVII, altura em que teriam sido substituídas por
pontes de pedra.
Património Arqueológico
- O monumento funerário megalítico de Rio Torto, sendo o
único deste género do concelho e um imóvel classificado
como de interesse publico;
- Vestígios do que poderão ter sido formações castrejas,
existentes, por exemplo, em Vila Franca da Serra, Paços da
Serra e Arcozelo da Serra (Castro do Risado);
- Várias sepulturas escavadas na rocha (antropomórficas ou
não) que poderão ser já de finais do século VI até ao
século VIII;
- Os legados materiais do período romano são inúmeros –
pela serra passava a estrada que ligava a capital da
Lusitânia (Mérida) a Viseu e a Braga; permanecem, ainda,
restos da calçada romana em Galhardos (Folgosinho) e da
calcada que atravessa a ponte no Chorido (!?) (em
Nespereira, com seguimento até Gouveia, em sentido
contrário, por São Domingos);
- Deste período parece ser também o denominado “cadeiral”
romano (!?) de Nespcreira.
- Os inúmeros “burros”, “cegonhas” ou “picanços”
que ainda funcionam por todo o concelho e atestam a
permanência árabe nesta região.
Agradecemos desde já a contribuição dos jovens
arqueólogos: Andreia Lourenço (com familiares em Vila
Cortês da Serra), João Nunes e Sofia Tereso pela
disponibilização do Trabalho de Prospecção
Arqueológica na Freguesia de Vila Cortês da Serra
realizado no âmbito de Técnicas de Investigação
Arqueológica, na Faculdade de Letras da Universidade de
Coimbra.
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